quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Para Refletir





" Ame tudo, confie em alguns, não faça mal a ninguém . "

William Shakespeare

Com Estilo





Onde Sua Beleza se Esconde ? Por Renata Correa

  Pela internet, encontramos textos incríveis!! E hoje compartilharemos com vocês umas dessas pérolas que encontramos por aí... Ele foi publicado em abril de 2011, mas vale para todos os nossos dias!  Por isso pedimos licença para reproduzir em nosso blog um dos textos mais interessantes que fala sobre Padrão de Beleza! O texto é de autoria de Renata Correa, e está disponível no site abaixo!


http://modices.com.br/beleza/onde-sua-beleza-se-esconde/






   Padrão é uma palavrinha exaustivamente usada hoje em dia. É padrão de beleza pra cá, é fora dos padrões pra lá. O problema das palavras quando elas são muito usadas é que seu significado acaba se esvaziando. Falamos tanto, repetimos tanto que acabamos esquecendo o que elas significam de verdade. É por isso que peço para você que leia com muita atenção a definição do início desse texto.

   Pausadamente, vírgula por vírgula.

  Padrão é aquilo que se repete indefinidamente; padrão é aquilo que se repete tanto que acaba sendo comum e não questionado. Padrão é um saco. E o mais importante: “apesar de altamente recomendado, não é necessariamente obrigatório”.

   E se não é obrigatório, por que nós, mulheres, acabamos seguindo o “padrão” como se ele fosse uma regra universal, escrita em pedra, que não pode ser mudada e deve ser exaustivamente alcançada? Por que nós nos acostumamos a não questionar o tal “padrão”?

   Afinal, chega ser um contransenso que usemos o termo “padrão de beleza”. Enquanto a palavra padrão nos remete a repetição, homogeniedade, a beleza é uma palavra livre: pode estar em qualquer lugar. Num design, num movimento, numa pessoa, numa paisagem. Onde a beleza emociona, o padrão normatiza. Se a gente parasse pra pensar um pouquinho, não usaríamos essas duas palavras juntas. Elas não combinam entre si; não da maneira que querem nos fazer acreditar que elas combinam.

 Quando tentamos nos encaixar num padrão que não nos cabe, seja emagrecendo demais, alisando excessivamente os fios dos nossos cabelos, colocando uma roupa que não combina com o nosso corpo, mas está na moda, nós na verdade estamos escondendo a beleza intrínseca que existe em nós, a beleza genuína da particularidade. Aquilo que nos faz diferentes de todas as outras pessoas do mundo. Hoje eu acredito muito mais em ser o meu próprio corpo, a minha própria pele, do que ser o corpo que eu vi numa capa de revista. Afinal, há uma vantagem sem precedentes na minha barriguinha saliente contra a barriguinha da capa da revista: a minha é de verdade.

  Algumas semanas atrás um ícone de beleza se foi, morreu aos 79 anos uma das atrizes mais belas que o mundo já viu. Elizabeth Taylor tinha uma pele impecável, cabelos negros. Mas o mais importante, que deixava o mundo de boca aberta, eram os tais olhos cor de violeta. Aproveitando a comoção mundial com sua morte, um colecionador de arte, mostrou ao mundo a única foto que Liz Taylor fez nua, aos 24 anos. Foto essa que a atriz iria presentear seu futuro marido.




  O que intriga na tal foto é que Liz Taylor está de olhos fechados, escondendo a representação máxima da sua beleza. Olhos de um azul impossível, só encontrados na natureza dentro da sua íris. Justo para o homem que ela amava, ela fechou os olhos. Os olhos que todos queriam ter. E mostrou o resto. E o que era esse resto?

   Um corpo magro e pequeno, de uma garota que media apenas 1,57m. Sem intervenções estéticas ou suplementos alimentares. Seios comuns. Uma dobrinha na cintura. Um corpo completamente genuíno. Um corpo que só Elizabeth Taylor poderia ter e mais ninguém.

  O que faz dessa foto uma das mais intrigantes que eu já vi é a história por trás dela. A coragem de Liz Taylor. Sua postura diante do homem que ama e de aceitação de quem ela é. Ela se entrega a ele, e também a si mesma. É isso que costumam dizer por aí que se chama “atitude”.

  É por isso que eu proponho que a partir de hoje a gente pare de tentar se encaixar em um “padrão de beleza”, e comecemos a pensar em uma “atitude de beleza”. Pois atitude é aquilo que nos revela, e não aquilo que nos esconde.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O Cético e O Lúcido


No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês.
O primeiro pergunta ao outro:
- Você acredita na vida após o nascimento?
- Certamente. Algo tem de haver após o nascimento.
Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
- Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?...
- Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui.
Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
- Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo!
O cordão umbilical nos alimenta.
Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída e o cordão umbilical é muito curto.
- Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
- Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento.
O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão
.- Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
- Mamãe? Você acredita na mamãe?
E onde ela supostamente está?
- Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos.
Sem ela tudo isso não existiria.
- Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
- Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo.
Sabe, eu penso que a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela...

E Você ?

Carol Entre Borboletas

Seu Corpo Fala

Uma Arte - Elisabeth Bishop


A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde
da perda que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia.
Aceita o susto de perder chaves,
e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias
ir. Nenhuma perda trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. A última,
ou a penúltima, de minhas casas queridas
foi-se. Não tarda aprender, a arte de perder.

Perdi duas cidades, eram deliciosas. E,
pior, alguns reinos que tive, dois rios, um
continente. Sinto sua falta, nenhum desastre.

- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente
amado), mentir não posso. É evidente:
a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.